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Os culpados
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Afasta de mim esse cálice, Pai! Afasta de mim esse cálice, Pai! Afasta de mim esse cálice, De vinho tinto de sangue...
Como beber Dessa bebida amarga. Tragar a dor, Engolir a labuta. Mesmo calada a boca Resta o peito. Silêncio na cidade Não se escuta. De que me vale Ser filho da santa, Melhor seria Ser filho da outra. Outra realidade Menos morta. Tanta mentira, Tanta força bruta...
Quero lançar Um grito desumano. Que é uma maneira De ser escutado. Esse silêncio todo Me atordoa. Atordoado, Eu permaneço atento, Na arquibancada Prá a qualquer momento, Ver emergir O monstro da lagoa...
Como é difícil Pai, abrir a porta...Essa palavra Presa na garganta...De que adianta Ter boa vontade Mesmo calado o peito Resta a cuca...
Talvez o mundo Não seja pequeno. Nem seja a vida Um fato consumado.Quero inventar O meu próprio pecado...
Quero perder de vez Tua cabeça. Minha cabeça Perder teu juízo...
Pai! Afasta de mim esse cálice, Pai! Afasta de mim esse cálice, Pai! Afasta de mim esse cálice, De vinho tinto de sangue...
Cálice - Chico Buarque
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