Solidão é lava,
Que cobre tudo.
Amargura em minha boca.
Sorri seus dentes de chumbo.
Solidão palavra,
Cavada no coração,
Resignado e mudo,
No compasso da desilusão.
(Paulinho da Viola)
Quando não se encontra a si mesmo, quando a solidão é devastadora, quando você está dentro e o mundo está fora, quando nada lhe toca, e você não é mais capaz de a nada tocar, quem poderia me culpar?
*Blog dedicado à produção literária independente*
Os culpados
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Existe certa problemática em dizer o adeus definitivo a certas coisas. O sentimento de que estamos olhando uma última vez para algo, ou alguém, pode ser insuportável quando compreendido na totalidade das suas conseqüências, seja esse adeus fruto de um afastamento voluntário ou ocasional. Assim, quase sempre, o “nunca mais” é substituído pelo “até logo”. A porta continua aberta. O passado não se caracteriza como passado e se transforma em um simples dia anterior. Não se encerra, apenas passa.
Ninguém consegue compreender totalmente a extensão (ou duração) de uma vida inteira. A vida de cada um de nós, durando o tempo que dure, pode ser entendida (por que não?) como a única representação possível da eternidade... e isso só é possível graças à nossa capacidade de lembrar.
No entanto, a capacidade de lembrar nem sempre é um ato consciente ou livre, tanto na sua casualidade quanto na sua intensidade, e issogera um constante conflito com as características (ou necessidades) sensoriais de todos nós. O ser humano que vive é também o ser humano que sente, que sangra, e que interage com o momento presente como um solitário elo entre o futuro e o passado, pressionado contras as carências do minuto atual. Assim, subterfúgios são criados para tolerar uma carga tão grande de responsabilidades ligadas a incertezas e sentimentos, um conjunto de maneiras de nos fazer esquecer, ou pelo menos aliviar, a dor e o sentimento de impotência que sentimos quando, por alguns minutos, compreendemos o real tamanho da vida e toda sua extensão..quando percebemos que não temos controle sobre quase nada.
Isso tudo eu pensei quando embalava as últimas coisas antes de ir embora, quando passava a fita durex e lacrava a única caixa, que continha todos os meus pertences após dois anos naquele lugar. Acho que a gente só possui as coisas uma vez na vida, não mais que isso. No momento que elas se perdem, mesmo que um dia voltem a ser nossas, não serão mais as mesmas coisas, assim como nós não seremos mais os mesmos. Então é natural nos prendermos ao que é nosso, ao que dividiu conosco nosso olhar pessoal sobre as coisas. Mesmo quando a necessidade de ir embora é uma obrigação, um fato consumado e necessário, eu nunca vou ter vergonha de sentir saudades de quase tudo, por que quase tudo me carrega e quase tudo está dentro de mim, sejam pessoas ou pacotes de cigarro.
Aí eu disse adeus e fechei a porta. A chave na portaria, como combinado.
Na calçada, esperando o táxi, já nada mais me pertencia. Então eu fiz a única coisa que eu devia fazer. A única coisa que sabia ser certo.
Sentei, e comecei a chorar.
Perdemos muitas coisas...
À Iracilda Lima Coelho, elo de amor que une toda minha família. Fonte maior de alegria e força para minha vida. Inspiração e modelo perene para minhas decisões. Razão de meu amor pelas menores coisas que me circulam, destinatária de meu eterno orgulho e devoção, minha amiga, minha sempre amada avó.
(dedicatória do trabalho final de curso)
AMO
Solidão... Tudo está apagado. É a ausência. Não de outros, mas de si mesmo.
É não saber o que fazer quando se acorda, e não ter descoberto até a hora de ir se deitar. É não entender o motivo do próximo passo. É existir sem existir.
Quando se experimenta esse sentimento nunca mais se pensa que a solidão pode ser curada pela presença de outra pessoa. O mal e a cura só um pode encontrar. É perder o fio da meada, é esquecer porque se respira. Olhar ao redor, saber quem é, e não saber. É trabalhar, conversar, passear, e nada sentir. É o encontro com o desencontro. São as palavras que nada dizem.
A ausência de si mesmo pode ser uma benção. Pois o reencontro nos torna fortes, resistentes, preparados. A ausência pode vir novamente, mas se há possibilidade do reencontro, há possibilidade de crescimento. A solidão pode portanto ser salvação. Não nos torna pessimistas, não nos separa dos outros. Mostra que os outros são vitais, mas que a vida é feita de nós mesmos.
No entanto, a solidão nos maltrata. Facilmente sucumbimos a ela. E quem poderia me culpar? Como todos os aprendizados na vida, a dor antes do riso é imponderável. A saída não se enxerga de longe. Quero sucumbir, quem poderia me culpar?
Para algumas pessoas em especial...
Não quero alguém que morra de amor por mim... Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando. Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim... Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível... E que esse momento será inesquecível... Só quero que meu sentimento seja valorizado.
Quero sempre poder ter um sorriso estampando meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre... E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.
Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém... e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.
Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho... Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento... e não brinque com ele. E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe... Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.
Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas... Que a esperança nunca me pareça um "não" que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como "sim".
Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros... Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.
Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão... que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim...e que valeu a pena!!!
Mário Quintana
Vou me matar. Pensou na frase várias vezes. Sabia conscientemente de tudo que lhe prendia a esse mundo. Sua esposa, seus filhos. Sete filhos. Nenhum deles crescidos o suficiente.
Mas nada o prendia a esse mundo. A dor de um homem não se explica. É grande, sufocadora demais para se explicar. Diante da grandeza do mundo, do desespero esmagador, o amor não era mais amor, a responsabilidade era irresponsabilidade, a vida era morte.
Vou me matar, chegou a anunciar. Precisava que algo o convencesse que havia outra saída. Nada o convencia. O desespero de não enxergar, de olhar e não ver, de estar e não estar, era maior que o mistério da morte, que a dor dos filhos sem um pai, que a solidão da mulher. Aos poucos qualquer um se convence que nada nesse mundo nos prende aqui. A luta é diária, e se um dia ela se rompe, nada no mundo nos prende aqui.
O desespero crescia dentro, tão fundo que ele não mais o alcançava. Não sabia mais sua razão, não conseguiria explicar se fosse preciso. A luta se rompeu. Quando morto já se está, quando o mistério já se conhece em vida, como se explica a vida?
Labels: Ficção
Pesquisando melhor o que eu pretendia com o título passado, conclui: Eros e Thanatos.
Vinha chegando seu aniversário. Há mais de meio século atrás seu pai se matava. Uma decisão.
Decisão? Repentina ou refletida? Impulso ou afirmação? Consciente ou inconsciente? Ele não sabia responder, jamais saberia. Esse ato no entanto marcara toda sua vida. Na realidade mudara sua vida.
Sua família teria sido a mesma? O destino de seus irmãos, seu próprio destino, a família que ele constriu, seriam os mesmos? A vida de todos, sem distinção, era diariamente afetada por aquele momento.
Momento em que um homem, privado de tudo que lhe prende ao mundo, de qualquer felicidade, racionalidade, orgulho e esperança, acaba com sua própria vida.
Labels: Ficção
A cabeça dela deu um giro, quase um nó. Mudou, e de outra forma continuou a mesma. A essência estava lá. Mas já não era mais a mesma. Sua tolerância com algumas coisas acabou, mas sua compreensão cresceu. Calejou. Já não é mais a mesma. Ama o mundo, e o mundo não parece amar ninguém. Ama aqueles que ama, parece redundante, mas quanto mais olha ao redor mais percebe que o normal é não amar aquilo que se ama. Faria tudo por todos, e pouco por ela. Ama o mundo, mas o mundo não parece amar ninguém. Tem muito dentro dela, pouco que consegue explicar e alcançar. Ama o mundo, mas o mundo é ingrato para se amar.
Gordinha, tenho que estudar mas aí vai...
Mesmo sabendo que existem diferentes níveis de egoísmo e que suas causas são independentes e diversas, vou opinar a partir da relação entre o egoísmo e a covardia.
Para mim, a covardia nos torna seres humanos egoístas. Egoístas com o próximo, com seus sentimentos e com sua vida.
Sei também que existem diversas formas de sermos covardes, mas mais uma vez vou restringir o conceito de covardia só para focar minha análise em coisas que andamos discutindo... (sinta-se livre para abrir a análise)
A covardia nesse âmbito é o medo de tomar decisões, fazer escolhas. Em qualquer situação da vida chegamos em um ponto em que nos é imposto decidir, escolher. As escolhas trazem consigo perdas e ganhos. O problema é que as perdas são óbvias, e os ganhos imprevisíveis.
Essa é a dificuldade em tomar decisões, não se quer perder, mas também não se quer deixar de ganhar. Queremos nosso porto seguro, representado por aquilo que já conhecemos. Mas queremos também o novo, o que dá dinâmica à vida, queremos evoluir, progredir, avançar. O avanço implica na perda, e em geral acabamos por muito tempo parados no mesmo lugar para evitá-la.
Isso em si não tem nenhum problema, a vida é nossa, agimos como desejarmos. Se quisermos para sempre estarmos no mesmo lugar, se essa parecer a melhor opção, somos livres para optar. O problema é quando percebemos, mesmo que vagarosamente que a melhor opção é a mudança. Queremos mudar sem abrir mão do que temos como certo.
Nesse momento a covardia vira egoísmo. Arrastamos quem estiver em nossa frente no meio de nossas confusões. Não se para e se analisa a situação, se avança. O avanço em meio à falta de escolhas é egoísmo. Egoísmo puro. Afetamos a vida dos outros por medo de decidirmos nossa própria vida.
E gordinha, quanto a quando podemos nos magoar com as atitudes que consideramos egoístas, acho que isso é subjetivo. Evitando sermos incompreensivas, podemos nos magoar quando bem entendermos. A escolha é nossa.
Beijundas
Calma dona Patrícia!!! : )
Como alguns dos mil projetos de nossas vidas, esse aqui tá agonizando mas não tá morto ainda não. Acho que demorou para cair a ficha do ano de 2008.
Após um 2007 um tanto turbulento, digo não só pra mim mas também para meus amiguinhos sonhadores e levemente dominados pela utopia, tá começando a cair a ficha de 2008. Ano marcado inicialmente pela ressaca de 2007, começa a se organizar.
Vamos combinar que é difícil manter vários sonhos e ao mesmo tempo não ter quase nenhum de verdade. Alguém me explica como em meio a tantos projetos parece que não existe nenhum? Como um dia que começa 6:00 e acaba as 23:00 parece tão vazio? Mas esse não é o objetivo desse post.
Esse post é só pra dizer que estamos vivos sim dona gorda (ou pelo menos é o que parece por enquanto). E que em meio as confusões, muitas dais quais compartilhamos, esse nosso projetinho continua vivo. Precisando de cuidados intensivos mais vivo.
Euzinha aqui tô só tentando entender por enquanto a dinâmica das pessoas. Por que estamos cada vez mais rodeados de seres egoístas, preocupados com o próprio umbigo e que não enxergam um palmo a sua frente. Por que é mais importante satisfazer desejos próprios e viver imerso em suas próprias confusões do que dar uma espiadinha nas pessoas que estão ao seu lado?
Estamos de volta gordinha...vê se atualiza também hein!!!