O mundo é sem noção.
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Tem machucado que a gente tampa com band aid, tem uns que só dando pontos.
Vou aprender a tricotar, foi a melhor lição que aprendi nos últimos dias. Utiliza-se a concentração para algo produtivo, aumenta-se a destreza manual, e ainda tira a mente de coisas desagradáveis. Nada como tricotar.
Não, ainda não estou ficando doida.
Ainda com a idéia do Karl Polanyi....
Nesse mundo temos que estar de armadura. É a lógica do mercado. Escolhem-se sapatos, bolsas, roupas de marca, e seres humanos. Parece cada vez mais que em meio as confusões alheias estamos simplesmente na prateleira. Somos usados conforme convém ao outro, e descartados no dia seguinte. Aproveitados enquanto somos de bom proveito. Meras mercadorias. No mundo que impera a ordem do maior lucro, o ser humano foi jogado na lógica do mercado. O que importa é não se importar. Somos todos arrastados nas dúvidas do próximo. Na lógica do lucro, melhor pisar no acelerador do que no freio, não importa quem se atropele.
Mas em um mundo onde existem pessoas que param para comemorar com bolo e champagne a biopsia benigna de uma vira-lata, eu ainda tenho esperanças.
Meu pai se matou aos poucos. A mais terrível das decisões é se matar e continuar vivo.
Se matou em cada silêncio e em cada grito. Se matou em suas resignações e em cada luta inútil que travou. Se matou quando se achou bom demais e quando pensou ser o pior de todos. Se matou quando se curvou sob cada golpe. Matou um pouco de meu irmão e me matou.
Nos matou. A ausência diante da presença é muito mais forte que a perda. Meu pai nos matou a cada vez que fechou os olhos. Construiu um muro e nos deixou do lado de fora. Por mais que gritássemos ele nunca abriu a porta.
Mas a vida é surpreendente. Nos molda diante das adversidades. O futuro, meu e de meu irmão foi moldado assim, sombras de uma vida cavada na morte.
Labels: Ficção
O mercado humano de Karl Polanyi.
Porque enquanto o ser humano não for adaptável à lógica do mercado, o caráter de um homem se constrói e se revela com as decisões que toma nesse mundo não linear. Não arrume desculpas nas dúvidas que assolam sua mente, elas, todos têm, caráter para decidir em benefício alheio e não apenas próprio é que estamos esperando sentados para ver.
obs: "Porque Noelle, o mundo não é reto." Tema gerado em conversa com a Carol sábado à noite. Das poucas pessoas que conheço que em meio as suas próprias confusões lembram que o mundo ainda não se reduziu ao seu próprio umbigo.
olhei até ficar cansado de ver os meus olhos no espelho
chorei por ter despedaçado as flores que estão no canteiro
os punhos e os pulsos cortados
e o resto do meu corpo inteiro
há flores cobrindo o telhado
e embaixo do meu travesseiro
há flores por todos os lados
há flores em tudo que eu vejo
vocês me fazem muita falta.
Sou o mesmo que você, só que mais velho, mais triste, desprovido de esperanças, pois vencido. Então abaixe esse dedo e diminua seu tom de voz...eu já fui assim um dia. Você anda por aí, diz que está construindo o seu próprio caminho mas não enxerga.
Não está vendo? Está aí, bem na sua frente...tudo bem, eu já fui assim um dia. Você faz planos, vê as coisas acontecerem, obtém sucesso, mas no fundo não percebe, não percebe que nas suas mínimas atitudes, nas suas pequenas decisões, eu estou aí, a semente do que você um dia será. Porque é difícil enxergar. Então, eu aqui na minha miséria, na minha cela, se posso te dizer alguma coisa, é que abaixe seu tom de voz, e observe com atenção, porque eu sou você...espere alguns anos e perceberá.
Você não percebe, pois hoje sua vida está fluindo. Mas olhe com atenção. Olhe para tudo que hoje você fez como ontem, e que amanhã fará como hoje. Fará, e nem notará. É assim mesmo, eu entendo. Adquirimos hábitos, formas de lidar com problemas, de enfrentar o que nos é imposto. Buscamos segurança, conforto. Temos medo. Eu entendo. Mas digo, abaixe seu dedo, pois eu sou você no futuro. Hoje, você não percebe. Não percebe que grande parte do que você faz está determinado pela forma como você está condicionado à agir. Você também está preso aos seus medos, as suas preconcepções. Seu caminho é conhecido.
Eu admito que também vivi assim. Entendo seus medos. Mas te digo, antes de me criticar por eu ter me conformado, por eu viver nessa prisão que eu mesmo construi, pense que sou você no futuro. Você condicionado a aceitar o que acontece, a agir de uma determinada forma, a procurar sempre as mesmas soluções. E eu agora, conformado por ter sempre vivido assim.
"O conformismo é carcereiro da liberdade e o inimigo do crescimento." J.F. Kennedy
obs: essa série de post terá os temas sempre dados por outras pessoas. (tema do post: "condicionamento", idéia dada pelo Alemão).
A verdade dói. Nos faz adimitir que controlamos em nós muito menos do que gostaríamos. Abre nossas feridas e expõe nossos medos. Passamos anos construindo quem somos, formando nosso caráter, afirmando, batendo o pé, quais são nossos princípios e em que acreditamos. Mas a verdade dói.
Mentimos para não assumirmos que muito pouco nós controlamos. A verdade nos pega de surpresa, derruba a fortaleza que tentamos construir. Ficamos tão pequenos perto dos nossos sentimentos. Sentimentos que não fazem sentido, que vão contra o que acreditamos, contra a forma que geralmente funcionamos. A verdade dói. Então, repetimos e afirmamos quantas vezes for preciso a mentira, até quem sabe enganarmos nós mesmos.
Por que as coisas do coração, eu já disse, a gente não explica. E entre fazer o certo ou o que desejamos, ficamos com o certo. Eu fico pelo menos. Às vezes seguir regras, princípios e nossa tão inquestionada moral é mais fácil que seguir a vontade. Esse coração que a gente não explica, que não tem razão. Que é tão bobo que me envergonha. A verdade dói.
Sabe vô, andei pensando muito sobre você ultimamente. Com meu pai não posso falar, já te disse, com pessoas como ele, a conversa é impraticável. Ele é de cimento forte vô, nunca caiu, mas nunca me deixou desmoronar.
Eu te falei, eu sou de cimento fraco. Me disseram que sou pessimista. Sabe vô, já passei por tanta coisa, seria difícil começar a te explicar. Sou o legado do que você deixou aqui. Sou a vida que se tentou construir sobre a morte. Sabe vô, não se constrói vida sobre a morte.
Meu pai construiu a vida colhendo partes, costurando retalhos. Foi remendando as peças que achou pelo caminho. Um dia tudo se rasga.
Não sou pessimista, sou otimista. Sou calada, fechada, mas a vida ensina que palavras e sorrisos devem ser sempre verdadeiros. Sabe vô, já passei por tanta coisa. A vida ensina que otimismo não é felicidade, nem alegria, é acreditar que as coisas podem ser como você sonha, é olhar para seus amigos e saber que tudo vai dar certo para eles, é amar com todo o coração, é acreditar no amor, é apesar de tudo, acreditar.
Eu, se te encontrasse vô, te agradeceria pelo dia em que tomou sua decisão. Mais de meio século depois, sua decisão me fez de cimento fraco.
Labels: Ficção
Gosto do escuro, do breu, do frio, do silêncio sepulcral: um ser da noite.
Prefiro a escuridão. É onde tudo se define, não na luz. A luz engana, ofusca; o negro esconde as mentiras, evoca a verdade. De dia minha sombra é maior que eu. Ela zomba de mim. Me sinto uno com o mundo quando a noite cai, com o meu mundo.
Tudo que eu gostaria de dizer, de fazer, de criar, de transformar, as resoluções e respostas que anseio só me vêm na calada da noite. Me sinto intrépido, imbatível, infalível, sedutor... Sentidos aguçados, nada me escapa, tudo a meu alcance. Lorde-senhor e ninguém para dizer o contrário.
Tento viver uma vida normal, trabalho, aprendo, produzo. Em vão, só respiro livre quando o sol se esconde. Inspiro o ar frio, me alimento dele. Crio asas que cortam a brisa andante. Estou no comando. O véu da noite me aquece, clama por mim. Eu não recuso, gosto do escuro, adoro o silêncio. Deus da vida dormente.
O tempo pára diante dos meus olhos que enxergam distante no escuro, até onde posso
imaginar. Olho as estrelas, frias e distantes. Num piscar de olhos estou lá e de volta. Tudo faz sentido à noite, todos os propósitos são cumpridos. Vultos à espreita, ruídos ao longe... Não, preces e honrarias ao mestre do breu. Meu domínio pulsa enquanto a cidade dorme. Sonhem, meus filhos, sonhem com domínios só seus pois a escuridão me pertence e eu pertenço à ela.
Queria pensar em uma razão para dizer o que verdadeiramente sinto... aquela leveza de dizer a verdade...
ps: Fábio, não sei se isso está acontecendo com você, mas a leitura do Iuperj está matando minha inspiração...tudo que penso agora é em clã feudal e parental do Vianna! E pra melhorar tem clã eleitoral agora também...
"Sonhar é acordar-se para dentro"
(Mário Quintana)
A esperança, necessária para vivermos, há semanas vem me derrubando.
Hoje eu quase desisti. Não quero me achar anormal por isso, ou deprimido, ou melancólico. Mas hoje eu quase desisti.
A eterna espera termina quando percebemos que, no fim, o que há é só esse vazio, esse abismo das coisas. A gente olha pra dentro de si, e só há escuridão.
Eu sentei aqui pra escrever alguma coisa que me inspirasse e inspirasse outras pessoas tb. Algo delicado, que me fizesse chegar mais perto. Mas nem sempre isso funciona e nem sempre eu quero continuar.
Hoje eu olhei pra cima, e não havia nada.
Não sei. Somos tomados por uma força que nos obriga a levantar da cama, a abrir a porta, a sair na rua. É essa força que tenta preencher o vazio que tantas vezes nos consome, pelo menos me consome. Essa força que nos joga na vida para enfrentarmos a morte, a perda.
Será essa mesma força que nos prende a situações que já terminaram? Que nos obriga a lutar até o último momento para não enfrentarmos a perda? Para não assumirmos que um dia tudo passa?
Não sou pessimista, sou otimista. Acredito na vida. Acredito no amor, naqueles que duram para sempre. Acredito nos planos, nos sonhos. Acredito que podemos construir coisas lindas.
Mas por isso mesmo acredito que tudo um dia, de alguma forma, passa. Eu bem sei quantas vezes foi difícil encontrar a força para levantar de manhã. E quantas vezes me prendi a situações que há muito já haviam acabado. A perda, o fim, é uma dor inexplicável. Mas é uma dor linda. Nos permite recomeçar, ter esperança, sonhar. É a perda em algum momento que nos dá a força para levantar em outro.
É a perda do que hoje já na verdade se foi, é deixar passar aquilo que não mais está, é aceitar a dor, que me permite sonhar, sonhar que algumas coisas só passarão, quando eu mesma passar.
Um dia meu pai me disse que criamos uma realidade para a qual só vamos estar preparados emocionalmente daqui há muito tempo. Acho que nunca vou estar preparada.
A pós-modernidade fluida, segundo uma amiga de uma amiga é o estágio que estamos. Época em que ninguém é ninguém e nada importa. Tempo em que é moda olhar para o próprio umbigo. Não vou discordar, é a pura verdade.
Me sinto um lixo, excluída, razoavelmente anormal. Acho que 90% das pessoas com quem um dia parei para falar sobre essa sensação de sermos meros espectros na vida dos outros, me disse pra eu relaxar, levar as coisas menos a sério. Não dou ainda razão, mas começo a achar que é o jeito menos doloroso de se viver hoje em dia.
Mas ainda não cheguei nesse grau de evolução. E sei, grande parte dos que me circulam já chegaram. Essa tal de pós-modernidade fluida está dominando tudo.
Pra mim, continuo no meu canto...pequenas coisas me comovem, sorrio ouvindo uma música, choro lendo um livro, e acredito em filmes. Falo no telefone, sinto saudades de minha mãe, e converso com minha cachorra. Abraço meus amigos com todo meu amor. Em cada beijo abro um pouco meu coração. Não consigo pensar em qualquer um. Penso em cada um. Tenho medo da pós-modernidade fluida.
"It's the terror of knowing what this world is about. Watching some good friends screaming ' let me out'............. 'Cause love's such an old fashioned word. And love dares you to care for the people on the edge of the night. And loves dares you to change our way of caring about ourselves."
(Queen - Under Pressure)
Finco minhas raízes para poder crescer. Florescer.
O mar. Horizonte inatingível de infinitas possibilidades.
Minha liberdade são pássaros que buscam o sol.
Sol que brilha a cada manhã onde há esperança.
Porque a saudade, cravada na pele, é a lágrima que não cai.
É a felicidade nunca expressa de uma lição aprendida.
há três noites não durmo,não por conta de motivos existenciais. só um problema de saúde. Três noites só, mas parecem bem mais
De qualquer forma, isso me fez ter bastante tempo pra pensar em coisas que uma recente fase de depressão tinham me feito esquecer.
Tudo que eu sempre quis dizer na vida, busquei dizer em forma de historias, um velho habito, alimentado por velhos sonhos. Não sei se os abandonei, espero que nao, mas recentemente as coisas têm sido diferentes. Hoje vai se diferente.
Tolstoi escreveu em seu diário que estava cansado de escrever romances, de escrever mentiras. Que tudo que deveria ser dito, deveria ser dito diretamente. Acho que concordo, o mundo já tem mentiras demais, já tem coisas demais pra se pensar. Às vezes precisamos parar e olhar a leveza que a verdade traz dentro de si. Porque nem toda verdade é nua e crua..às vezes ela pode ser bem delicada, bem confortável... mas entendo que usar uma sinceridade sincera não é só difícil, parece impossível.
Isso porque não estamos habituados a associar as coisas com sua existência real. Tudo nos remete a algo,a algum conceito, a alguma asbtração, a algo que achamos conhecer sem possuir, quando na verdade certas coisas simplesmente existem, sem necessariamente ser algo definido.
Uma vez que estamos presos à linguagem, precisamos compreender as palavras em toda sua extensão. Compreender, não só entender. Deixar falar cada coisa da sua forma original, sem metáforas, sem sombras, sem fugas. É preciso chamar cada coisa pelo seu nome certo, e entender isso como uma prova de exclusividade, de salvação, da existência de algo fora do nosso controle.
Então, quando eu falo de amor, eu não posso querer resumir tudo em um punhado de letras, em um símbolo linguístico. Tudo que existe só existe uma vez, não mais.
Daí vem minha grande frustração: como compreender cada coisa como ela é individualmente? Como saber seu real significado? Como dizer a uma pessoa, qualquer pessoa, que a amo, e que isso não tem muita relação com a condição soical que ela ocupa em minha vida, seja ela namorada, amigo, amiga, pai, mãe, irmã? Eu só quero dizer que a amo e que o amor não é como uma caixa de bombons que dividimos com as pessoas que nos fazem sentir bem. Não existe uma coisa chamada amor..o que existe é o amor por alguém. E o amor não é dividir, não é doar...o amor é estar perto, e perder, para poder cuidar.
Lá se vão alguns parágrafos e eu ainda não consegui dizer exatamente o que eu quero,mas tenho consciência de que nunca conseguirei de verdade. Eu nunca vou fazer as pessoas entenderem completamente como eu me sinto em relação a elas. Para amar é preciso ser um pouco egoísta tb e usar o amor como alimento de si mesmo. Sentir-se encantado por algo e ouvir a música noturna que isso sempre traz. É preciso ouvir essa música como uma enorme sinfonia que nós mesmo contruímos. Entender o amor e o amar como a única forma de arte capaz de nos fazer alguém melhor. Como eu disse, amar é perder.
Alguém pode achar isso tudo muito conformista. Discordo. É importante não confundir as coisas. Não estou tentando falar sobre uma forma de amar..essas serão sempre as mesmas, inesgotáveis, insuficientes e inexplicáveis. É importante saber o que esperar, não do outro, mas de si mesmo. Acredito que amor deve ser sempre demonstrado mais do que dito e isso vale pra quase tudo na vida. Mas nada nunca será suficiente. Viver é muito difícil. Eu pelo menos não consigo pensar em nada q seja mais difícil...ou que pelo menos tome mais tempo da minha vida.
O negócio é que a única coisa em que realmente podemos acreditar é em nós mesmos e como, de certa forma, estamos condenados a sermos fiéis ao que sentimos. Não temos escolhas, não temos opções, é preciso sempre acreditar no que vemos e, quem sabe, dar algumas chances de sermos cativados..seja por algo, seja por alguém. Um dia, sempre é preciso se entregar, ou tudo se torna pesado demais, insuportável.
O que eu quero é um dia poder dizer que te amo, e não terei medo, e tu não terás medo..haverá o amor tranquilo, e fim.
Por que você sabe, a vida é assim mesmo. Somos um muro, as coisas nos atingem, cada qual desmorona em seu momento. Sou de cimento fraco, meu pai, de cimento forte. Nunca caiu.
Há mais de meio século atrás, meu pai parou de enxergar. Sua vida passou assim, com as mãos em frente aos olhos. Tudo que construímos no escuro, cresce como sombra. Minha família, minha família é sombra. Quando o muro não desmorona, a vida nunca se ergue.
Sobre mim ainda nada posso falar. Já disse, sou feita de cimento fraco, desmoronei tem muito tempo. Minha vida, estou tentando reerguer. Mas isso, isso agora não importa.
Meu pai cresceu na morte, e da morte fez sua vida. Como fica o que criamos, quando tudo que se cria nasce morto? Como fica a vida que levamos, quando da morte nunca escapamos? Não sei a respota para muitas coisas, mas sei para isso vô. Quando da morte se vive, se vive como muro forte, que não cai, mas nunca se ergue.
Labels: Ficção
Mas tudo que eu te dou são só palavras
E a solidão de cada uma delas
Não me deixará dizer
O que eu vejo quando fecho meus olhos
È no tempo da delicadeza,
Que eu espero,
A música das suas asas se aproximando,
Para que sentes ao meu lado
E me revele o abismo de todas as coisas.
Sem medo,
Eu sussurro no teu ouvido
Acalma o teu coração!
Eu entendo.
Eu entendo.
Não é estranho, como vivemos nossa vida para outro dia? É como perder um tempo da música...
Mas e se uma grande onda nos lavar embora daqui? Estou apenas pensando em voz alta. Não pretendo divagar sobre essas coisas mórbidas. Mas olhe para meu amor. Está vivo, aqui no fundo, pulsando em minhas veias... Intoxicando, transformando vinho em lágrimas. Bebendo.
O amor vai abrir nosso mundo. Há muito mais para se ver aqui...não desperdice o dia. Não desperdice o dia.
Tudo isso não é suficiente? Esse abençoado gole de vida, não é suficiente? Olhando para o chão, e reclamando, rezando por mais...seu pequeno ganancioso. Isso tudo é seu problema agora. Em poucos anos eu estarei morto. Apenas o amor abrirá nossos olhos, só o amor preencherá o vazio de nossas mentes. Muito mais do que um dia saberemos. Não desperdice o dia. Não desperdice o dia.
Venha irmã, meu irmão. Sacuda seus ossos e seus pés. Estou dizendo abra-se e deixa a chuva entrar. Lavar essa noção aprisionadora de que o melhor ainda está por vir. Enquanto você está aqui dançando, não pense em quando você não mais estará. Amor. Amor. Amor. O quê mais existe? Pare de pensar, enxugue seus olhos.
Não desperdice o dia. Não desperdice o dia.
Aqui estamos, nessa noite estrelada olhando para o espaço. Preciso dizer, me sinto pequena como a poeira deitada aqui embaixo. O que está me incomodando? Cabeça para baixo pensando o que irá acontecer comigo. Porque me preocupar com o que não posso ver? Não há razão para abandonar tudo isso aqui. O tempo é curto, acho que vou passear no meio da noite. Tira a mão de seus olhos meu amor. Tudo precisa acabar am algum momento. Não desperdice o dia. Não desperdice o dia.
Venha irmã, meu irmão. Sacuda seus ossos e seus pés. Estou dizendo abra-se e deixa a chuva entrar. Lavar essa noção aprisionadora de que o melhor ainda está por vir. Enquanto você está aqui dançando, não pense em quando você não mais estará. Amor, amor, amor, o que mais existe? Pare de pensar, enxugue seus olhos.
(Versão adaptada de "Pig", Dave Matthews Band - uma música pode mudar um dia.)
– Por quê ?
– O quê?
– Por quê você tentou se matar?
Abaixei os olhos. Acendeu um cigarro.
Não havia resposta.
– Não achei que você tivesse coragem.
Não consegui encará-la para responder:
– Você não me conhece mais.
Tudo que eu precisava fazer era não deixá-la olhar dentro de mim.
– Como é?
– Como é o que?
– Como é a sensação? Me disseram que mais alguns minutos e seria irreversível. Como você se sentiu?
– Você não entenderia.
– Experimente.
– Não vale à pena.
Ajeitou sua postura jogando-se para trás na cadeira. Pedimos ao garçom:
– Dois cafés.
Ela insistiu:
– Você acha que vai fazer isso de novo?
–Duvido muito.
Controlava-se para não chorar. Secou os olhos.
Silêncio.
– Você está bonito.
Precisava ser simpático:
– Você mudou o cabelo?
– Sim, você gostou?
Não respondi.O garçom veio com os cafés
Olhos vermelhos.
Pude ouvir a porta do bar abrir e fechar novamente.
– Sinto sua falta.
Olhei-a tentando ser gentil.
Silêncio.
– Espero que você esteja tão contente de me ver quanto eu estou.
– Sim, estou.
– Faz quanto tempo?
– Cinco anos.
– É muito tempo, não?
– Tempo demais.
– Você deve ter várias coisas pra contar.
– Na verdade não.
Ela passou a mão sobre os olhos. Parecia exausta.
(A noite em reflexo nos seus cabelos).
– Eu nunca te pedi desculpas.
– Nunca foi necessário.
– Não sabia se valia a pena vir aqui te ver, mas achei que, depois do que você tentou fazer consigo mesmo, era hora de voltar e fazer a coisa certa. Pode parecer loucura, ou muita pretensão da minha parte, mas achei que fosse por minha causa, mesmo depois de tanto tempo.
- Não...
– Eu te abandonei, Fábio.
– Não havia mais nada pra dizer.Você fez a coisa certa.
– Você parecia não entender isso na época.
– Mas entendo agora.
(Ela sabia).
– E eu nunca deixei de te amar.
Acendeu outro cigarro.
– Na verdade descobri que te amo mais do que nunca te amei, mas sei que as coisas são diferentes.
Parecia querer chorar novamente.
(Enquanto isso, chovia no mundo todo).
– O que é diferente, Júlia?
Não conseguiu responder. A tormenta.
Pôs os óculos escuros. Pegou na bolsa um discreto lenço bordado.
– Desculpe-me. Prometi que não faria isso.
(Quis consolá-la, mas tocar seu rosto mais uma vez me faria em pedaços).
– Eu não espero nada, Fábio. Acho que devo ir embora.
– Você está na casa dos seus pais?
– Não, aluguei um apartamento deste lado da cidade.Você está morando do outro lado do rio, não é?
– Sim. Mudei-me há dois anos.
– Posso te visitar um dia desses?
– Claro.
Ela levantou-se sorrindo, e nunca houve nesse mundo uma dor tão forte quanto a que eu senti nesse momento. Perdê-la novamente seria o fim de todas as coisas.
– Tome meu cartão. Me ligue quando puder, ela disse.
Começou a vestir o casaco.
Senti meu estômago revirar. Era como se tudo que existia estivesse confinado dentro daquela mulher. A beleza de uma criação absurda à qual sempre desejamos retornar. O absoluto. A resposta das dúvidas que nos enclausuram na escravidão do ser humano. Havia ali uma alma que preenchia os espaços. Havia ali uma chance, e ela estava indo embora.
Esperava que eu dissesse algo. Esperava que a salvasse de si mesma.
– A gente se vê.
Beijou-me na testa e foi em direção à porta.
O som dos seus passos se afastando me fizeram perceber que no universo não há espaço suficiente para a responsabilidade de viver. Sempre parece ser tarde demais.
– Mais perto de você – gritei antes que ela saísse.
– O que disse?
– Foi como eu me senti: mais perto de você
Ela riu enrubescida e fechou a porta, deixando para trás o cheiro de café, cigarros e a tranqüilidade desesperada de um nunca mais.
Outubro, 2005
Sou a última geração da dor de minha família. Da família de meu pai. Se eu encontrasse hoje meu avô saberia o que dizer.
Diria que o silêncio se impôs em minha vida. Que o segredo que maltratou meu pai, maltratou a mim e meus irmãos. O segredo não explicado da dor de um homem. Este segredo, escolhido como segredo por aqueles que preferem calar, não deixou impune ninguém ao meu redor.
Diria que meu pai escondeu de todos e até de si a dor da perda. Não, não a dor da perda, a dor de ser roubado. Diria que ao se matar meu avô roubou de meu pai o direito de respirar, o direito de viver. Mostraria como seu desespero, curado em um segundo impôs horas, dias, anos, uma vida inteira de sofrimento. Que a vida de meu pai nunca saiu daquele quarto, que seus olhos nunca deixaram de ver o sangue no chão. Diria que a morte de meu avô, matou tudo ao seu redor.
Diria que eu, mais de meio século depois de sua morte, vivo todos os dias aquele momento, vivo aquele momento através do olhos de meu pai. Olhos esses que me trouxeram ao mundo, que me criaram, que fizeram de mim quem sou hoje.
Diria entao que o seu suicídio foi sua melhor decisão. E que hoje mais de meio século depois agradeço o dia em que um tiro calou sua vida.
Labels: Ficção
teu cabelo é feito de flor
de rosa vermelha,
feito noite de inverno
teu toque é silêncio
neve que cai abandonada
sobre a minha solidão
e assim eu prossigo,
pintado na escuridão vazia das ruas
desconstruindo as horas
(nada nesse mundo é tão belo
como as violetas que caem do céu
quando você sorri)
eu não consigo versar a causa sem a consequencia
eu já não lembro como é tirar os pés do chão
em toda frase que escrevo vem a eloquencia
de rimar com a anterior, mesmo sem ter educação
eu já tentei falar de política
mas eu só tomo coca-cola
a ultima bandeira vermelha que eu tinha
troquei na feira por uma vitrola
Vendo alguém que amo fazer uma escolha, uma escolha que pode fazer chorar ou sorrir, voltei a pensar sobre decisões. Basta dizer que estou longe de saber tomá-las da melhor forma possível, mas a cada momento percebo mais como elas afetam enormemente minha vida e a dos que me circulam. O último ano, e em grande parte o princípio deste me mostrou como é inútil ter medo de fazer uma escolha.
É impossível não ter, mas o clichê é verdade, a coragem é a capacidade de enfrentar o medo. Quase tudo acontece independente de nossa vontade, para quase tudo a tentativa de controle é impotente. Já quis muito que a vida me mostrasse os caminhos a serem tomados. Hoje em dia prefiro escolher o que posso, posso errar, muitas vezes é certo que errarei, mas arrisco, pois no que posso, quero ter as rédeas de meu caminho. A possibilidade de escolher e o ato de decidir, além de nos tornar forte, nos prepara para aceitar aquilo que simplesmente acontece. Que nos é dado ou tirado sem nem notarmos.
A escolha é a capacidade de optar sem saber se haverá ganho ou perda. Prefiro perder tudo do que ser privada de escolher o caminho que me parece certo. As últimas semanas, das formas mais singelas, me mostraram o poder das escolhas. Ou a completa ausência desse poder.
No que eu puder, quero construir minha própria vida.
Tenho olhado ao meu redor. O vazio às vezes me surpreende. Ele pode estar sempre tão completo.
Queria dizer para todos meus amigos que são as pessoas mais lindas que conheço. Que a dor que eles sentem é a dor que também sinto. Que se meus braços fossem grandes o suficiente abraçaria-os todos ao mesmo tempo. Mas que meu coração é grande o suficiente.
Queria dizer que são todos parte de mim, que a alegria que hoje sinto devo sempre a eles. Queria que soubessem que todas as lágrimas que choraram, eu choraria quantas vezes fosse preciso para que voltassem a sorrir.
Queria ter certeza que a vida vale a pena. Para então ser forte o suficiente para reerguê-los sempre que caíssem. Não tenho essa certeza.
Queria rasgar meu coração e mostrar tudo que existe dentro dele. Poder então doar a beleza que vejo ao meu redor, a esperança que encontrei, e o sorriso que às vezes sorrio. Quero só ter braços para abraçar o mundo.
"Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...Que tristes os caminhos, se não fora a presença distante das estrelas!" Mário Quintana
Sentaí. Sentaí e cale a boca..
Eu quero que você escute.
Está ouvindo..sinto que logo irá chover em algum lugar dentro de mim.
Eu ia te escrever uma carta de amor, mas eu te trouxe aqui pra te contar que da última vez, quer dizer, quando você foi embora, eu falei com Deus e ele falou comigo.
Eu estava descendo sua rua, era agosto, ou setembro...não..nada de café, deixe-me terminar...era agosto ou setembro....você não estava ali e eu gritei: Vamos ,cadê? to aqui embaixo esperando ...seu merda!! E foi então que começou a chover como eu nunca vi na vida. Foi a maior chuva da década você lembra? Deu no telejornal e tudo. Eu sei, você não vê TV . Eu estava ali, era agosto ou setembro, e Ele sorriu pra mim. Eu estava morto e ele veio ate mim..Pare de rir, isso é sério...Ele veio até mim e me olhou..e era você.E ficamos conversando a noite toda até a chuva parar e você me levar pra casa, no mesmo carro velho que você usa para ir trabalhar. Eu adoro essa música, vamos dançar. Então...merda, eu sigo teus passos, apóie a mão no meu ombro, assim, como o tempo, haverá sempre o tempo para nos deixar loucos ,não é? Você é Beatrice e eu sou Dante. Queimei meu livro semana passada, não fazia mais sentido, não prestava. Palavras não servem pra nada .Não importa. Nada importa.OK, vou dizer o que penso, depois dessa canção: my baby don´t care for clothes, my baby just cares for me....lindo, lindo demais. Calma tenha paciência, eu te trouxe aqui por vários motivos, Primeiro pra te falar que eu descobri o vazio..sim ..ele estava ali o tempo todo e eu não tinha percebido..ele estava ali, olhando pra mim, e havia muita coisa nele, mas ele continuava vazio e então eu o pus seu nome nele e ele deixou de ser O vazio pra ser outra coisa que me faz dormir mais cedo, sabe, me faz dormir apenas.Uma coisa que deixa a luz menos acesa, que transforma as noites em reflexos , só reflexos debaixo da cama . Um filme mudo, é assim a minha vida, em preto e branco as coisa são mais belas, acredite. Olha, o importante é a beleza, foi isso que você não entendeu em mim e eu não entendi em você. Pra mim o que importa é a beleza,mas não essa beleza de dicionário, de escola de arte, existe uma outra beleza que está além..é a minha religião..esse foi nosso erro, nós ignoramos a beleza.Ai meu amor, vou explicar com calma.Não sei como dizer isso sem ser assim direto, mas você errou em não querer acreditar que poderia ser algo novo..uma nova forma de amar..uma forma sem conteúdo etéreo, algo como fogo, algo como a eternidade na mesa do café, chorando como a gente sempre chora, baixinho,baixinho. Meu erro foi capital,mas você me perdoa mesmo assim, sempre assim,estou quase lá, quase lá. O que não foi contado não será... mas terá existido, eu te pergunto? Pra mim sim, mesmo que eu nunca mais te veja, eu ainda vou casar com você. Mesmo que você diga que não me ama, eu ainda te farei a mãe dos meus filhos, e nós ainda iremos passear no parque, ir ao cinema aos domingos. E eu ainda cuidarei da sua gripe, te levarei ao médico, ouvirei você me xingando e indo pra casa da sua irmã. Depois voltando, fazendo o dever com nossos filhos, ensinando matemática ao mais novo, rindo do meu ciúme da mais velha. E eu vou morrer , como todos nós vamos, e meu ultimo momento ficará gravado em seus olhos verdes sem lágrimas, porque você jurou nunca chorar, porque em você sempre esteve a fortaleza que eu não fui. E depois você irá pra casa e será a mulher mais feliz da história, dessa história. Sim, pra mim isso tudo vai acontecer , mesmo que você saia daqui e nunca mais fale comigo. Pra mim já aconteceu. Está vendo, tudo é a beleza. “ A arte é longa, a vida é curta ”. Você errou, eu já disse, em tantas coisas quanto eu, mas se você tivesse acertado tudo acho que eu não pararia de chorar. Aqui está, tudo faz sentido agora, mais uma vez, é a beleza que me dá as respostas e não há respostas quando ela não está. O meu erro, é claro, eu também erro, foi não perceber que tudo isso começou quando você apareceu. Foi você quem criou o mundo que eu procuro e criou todos os mundos. Foi você quem criou a primeira beleza quando esteve do meu lado e respirou, e sorriu, e chorou, e apoiou a cabeça no meu ombro, e me fez sentir sua presença, devagar, devagar, pra tudo terminar em um instante, um instante de loucura , onde, por uma última vez, são seus olhos que fecham os meus.
As coisas do coração a gente não explica.
Posso perder algo e não sentir mais falta.
Posso nunca ter tido algo e ter muita saudade.
Segui minha vida assim, endurecido. Aquilo que eu não conseguia falar transformava em minha mente em grandes segredos. A morte de meu pai se tornou para mim um grande mistério. Encarava ela com um misto de medo e vergonha.
O quê determina a forma como encaramos o que nos é dado como nossa realidade? O quê em mim direciona o modo de enfrentar obstáculos? De onde vem a força para sorrir ou chorar diante da vida? Quem está fadado a sucumbir perante a vida, e quem é abençoado com a capacidade de transformar tragédias em lições?
Nunca me interessei em responder essas perguntas, aceitei de braços abertos e olhos fechados o meu destino. A morte de meu pai levaria consigo também minha vida. Calei minha boca, com ninguém falei, e sucumbi. Morreu também em vida toda minha família. Cada um em seu canto, todos sucumbiram.
Mas em uma coisa o tempo é inexorável. A gente para, mas ele continua. Temos que viver, mesmo quando tudo dentro de nós está determinado a morrer. Assim, levamos conosco a morte para onde formos. Nasce morto tudo aquilo que construímos. Essa é a história da minha vida.
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Hoje é meu aniversário. Há mais de meio século atrás meu pai se matava. Com apenas sete anos eu perdia a inocência e a esperança que no futuro nos torna uma pessoa mais completa.
Com sete anos eu olhava o meu pai, caído no chão, e descobria a tristeza humana em sua mais crua faceta. Um homem desistia de si mesmo. Eu nada sentia, apenas olhava. A vida nunca mais teria o mesmo sentido para mim, estava dominada pela morte. Aquele que me deu vida desistia da sua própria. Tirava de mim minha própria vida.
Durante muito tempo eu olhava mas nada via. Meu pai estendido no chão. Morto. Não compreendia o sigificado daquele momento. Não compreendo até hoje. Para ele, ali tudo acabou. Quanto a mim, eu tinha uma vida pela frente. Com sete anos, eu não tinha palavras para explicar, mas dentro de mim não havia vida para seguir.
Aquele momento afetou tudo ao meu redor. Meus irmãos, das mais variadas idades, não mais se falavam. Minha mãe, alguns vários anos mais moça que meu pai, passava os dias em silêncio. O tiro que calou meu pai calou também nossas vidas. Poderíamos ter enfrentado a morte com vida? Provavelmente sim, mas como a cada um cabe a força e a forma de enfrentar o que nos é imposto, foi com nossas mortes em vida que vivemos a morte de nosso pai.
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