Reza a lenda que dias depois de se "iluminar", Siddartha Gautama pernoitou para se alimentar e matar a sede. Na fazenda onde parou, teve uma rápida mas frutífera conversa com um agricultor e que isso teria popularizado a doutrina budista na Índia.
* * *
(...)
- Quer dizer que o senhor descobriu a verdade suprema, atingiu um estado de elevação? -- indaga o fazendeiro enquanto revolve a terra com o arado.
- Sim -- responde simploriamente Siddartha, sem qualquer presunção ou orgulho na voz -- Gostaria que você e todas as pessoas também vissem o que vi, sentissem o que senti.
- Pois então guie-me, me mostre como fez. -- rebate o homem, sem dar muito crédito ou mesmo relevar o feito do Buda vivo.
- Talvez se eu passasse trinta anos ensinando-lhe o que é a atitude reta, o desapego material e outras práticas necessárias para reconhecer o que senti, o senhor se sentiria sábio, mas o que você aprenderia de verdade? -- rebate Siddartha.
- Não entendi, o que o senhor quis dizer com isso? -- pergunta o agricultor largando o arado e virando-se na direção do novo mentor.
- É uma estrada árdua, percorrida nas entranhas da mente e nos confins da alma. Cada um deve trilhar a própria rota; não há atalhos ou pontes, apenas a vastidão do eu -- profere o iluminado, enquanto seu interlocutor coça o alto da cabeça e olha em volta desnorteado, como se duvidadesse da própria existência.
- Vejo que você deu o primeiro passo, é normal ter muitas dúvidas e poucas certezas no início -- diz Siddartha ajeitando a túnica e retomando a peregrinação.
- Espere, mestre -- brada o pupilo -- porque me deixas logo agora?
- Porque não posso lhe ensinar mais nada. Atingir o Nirvana é como uma relação ideal de amizade: quando ajuda um pouco, fortalece; quando ajuda muito, enfraquece... -- entoa o Buda, enquanto desaparece na bruma que rodeia a estrada.
- Quer dizer que o senhor descobriu a verdade suprema, atingiu um estado de elevação? -- indaga o fazendeiro enquanto revolve a terra com o arado.
- Sim -- responde simploriamente Siddartha, sem qualquer presunção ou orgulho na voz -- Gostaria que você e todas as pessoas também vissem o que vi, sentissem o que senti.
- Pois então guie-me, me mostre como fez. -- rebate o homem, sem dar muito crédito ou mesmo relevar o feito do Buda vivo.
- Talvez se eu passasse trinta anos ensinando-lhe o que é a atitude reta, o desapego material e outras práticas necessárias para reconhecer o que senti, o senhor se sentiria sábio, mas o que você aprenderia de verdade? -- rebate Siddartha.
- Não entendi, o que o senhor quis dizer com isso? -- pergunta o agricultor largando o arado e virando-se na direção do novo mentor.
- É uma estrada árdua, percorrida nas entranhas da mente e nos confins da alma. Cada um deve trilhar a própria rota; não há atalhos ou pontes, apenas a vastidão do eu -- profere o iluminado, enquanto seu interlocutor coça o alto da cabeça e olha em volta desnorteado, como se duvidadesse da própria existência.
- Vejo que você deu o primeiro passo, é normal ter muitas dúvidas e poucas certezas no início -- diz Siddartha ajeitando a túnica e retomando a peregrinação.
- Espere, mestre -- brada o pupilo -- porque me deixas logo agora?
- Porque não posso lhe ensinar mais nada. Atingir o Nirvana é como uma relação ideal de amizade: quando ajuda um pouco, fortalece; quando ajuda muito, enfraquece... -- entoa o Buda, enquanto desaparece na bruma que rodeia a estrada.
* * *
Engraçado como o ser humano protege os mais próximos, com mais ou menos ênfase. Não é questão de preferência ou noção de comunidade, simplesmente um instinto de sobrevivência da espécie. Mas mesmo assim, isso pode prejudicar tanto ou mais do que as situações desconfortáveis da vida. Estar sob pressão em alguns momentos pode ser o melhor fator de evolução do caráter que alguém pode ter.
Da próxima vez que alguém brigar com o namorado(a), tirar uma nota baixa, perder o emprego, se acidentar ou machucar outrem, etc., ofereça sim o ombro amigo. Enxugue suas lágrimas, console, abrace, beije, mas diga em leve tom de confronto: você de alguma forma é culpado(a) pelo que aconteceu? Você teve a chance de evitar isso? Agiu quando necessário? Seu(Sua) amigo(a) vai estar respondendo para si mesmo(a) a resposta mais sincera que pode haver... E exatamente a que precisa.
Em breve algo menos transcendental. Até.
Da próxima vez que alguém brigar com o namorado(a), tirar uma nota baixa, perder o emprego, se acidentar ou machucar outrem, etc., ofereça sim o ombro amigo. Enxugue suas lágrimas, console, abrace, beije, mas diga em leve tom de confronto: você de alguma forma é culpado(a) pelo que aconteceu? Você teve a chance de evitar isso? Agiu quando necessário? Seu(Sua) amigo(a) vai estar respondendo para si mesmo(a) a resposta mais sincera que pode haver... E exatamente a que precisa.
Em breve algo menos transcendental. Até.
2 comments:
fred, muito maneiro!
Estamos aqui pra isso...
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