Na verdade o que me levou a escrever esse livro foi que ele era a única forma de manter-me vivo. Há 3 anos cheguei a um ponto onde a vida só me deixou dois caminhos: ou escrevia, ou me suicidava. Não espero que as pessoas entendam isso literalmente, porque realmente, falando assim, soa um tanto dramático e prepotente. Mas pra mim era isso bem claro quando comecei a escrever e essa condição acaba aparecendo em todas as histórias que escrevi.
Não deixa de ser, então, o resultado de uma escolha pela vida, por mais estranho que isso possa soar para aqueles que já leram o trabalho. Acima de tudo, o que tentei fazer foi uma dissecação das relações humanas nas diversas maneiras possíveis, dentro de uma gama de contextos que achei adequada para destacar certos pontos que me pareciam importantes porque, antes mesmo de começar, já sabia que este seria um livro que escreveria para minha salvação pessoal exclusiva. Não tinha outra escolha e sabia que só havia uma forma de escrevê-lo. Antes de escrever a primeira frase já sabia que só poderia haver uma primeira frase. Qualquer erro, qualquer desleixo, seria como um passo para meu próprio fim.
Isso, obviamente, tornou tudo muito doloroso. Com certeza, as duas primeiras histórias foram as mais difíceis, porque são totalmente pessoais. Mas era algo que eu devia fazer e, resignadamente, agüentei todo o sangue e lágrimas que elas me fizeram escorrer. A parti daí, pude perceber que a lógica que guiaria meu processo seria a do passado, a da memória. Foi então que, a partir do terceiro conto, os personagens começam a se identificar e se relacionar cada vez mais com seu passado, com suas lembranças. Os contos então, passam a ser contos dentro de contos, mutáveis como o passado de cada um de nós, que selecionamos e contamos conforme nosso critério. Não existe um passado, apenas. Cada um de nós possui um tempo anterior que só pode ser definido e sentido em nós mesmos.
Sei que, até aí, não há nada de inovador. Proust já fez isso, e ninguém será capaz de superá-lo, muito menos eu. Mas veja bem, esse livro, pra mim, é como um quebra-cabeça de tudo que vivi e que fui montando para tentar encontrar todo que poderia me levar a uma certa rendição que eu tanto procurava. Nesse ponto, e isso falo com a maior humildade, creio que fui levado a escrever pelos mesmos motivos de Proust. O resultado é que, claro, saiu muito diferente.
Então, é verdade que quase todos os contos remetem a um tema principal que é o amor e a interação entre dois personagens, no máximo três. Isso, sem dúvida, não foi impensado. Nada no mundo pode infligir maior dor numa pessoa do que outra pessoa, nem nada dura tanto nem danifica tanto do que a dor proporcionada emocionalmente por outra pessoa. Só o ser humano é capaz de provocar dores que não são físicas, que fogem de qualquer possibilidade científica de cura. Um delicado equilíbrio é o responsável por manter as pessoas juntas em qualquer tipo de relação, seja ela filial, fraternal ou conjugal. Quando esse delicado equilíbrio se rompe, existe um mundo que é afetado. Ninguém é capaz e passar pela vida sem uma desilusão, sem cicatrizes que chegam tão fundo a ponto de não sumirem nunca mais. No entanto, para sobreviver a isso, e acima de tudo sabemos que temos que sobreviver, o mundo muda e tenta nos levar adiante. Uns conseguem com mais facilidade, outros não. Alguns recorrem a táticas inebriantes, ou manipulam suas próprias lembranças. Afinal, depois de tudo, o que sobra é sempre a lembrança e nossa capacidade de lidar com ela.
Assim, o que quero dizer é que tudo que está nesse livro é um aceno de adeus a mim e a tudo que eu levo. Uma forma de tentar sobreviver da melhor maneira possível a tudo que vivia na época que comecei a escrevê-lo. Não sei se funcionará para outras pessoas, nem acho que essa seja a intenção. Como disse, cada um lambe da forma que puder as feridas que possui. Nunca recriminei aqueles que tiram sua própria vida, nem considero uma fraqueza ou covardia do que os fazem. Se eles pudessem, tenho certeza, escolheriam ainda estar vivo. Eu tive sorte, muita sorte, podia escrever um livro, e foi o que fiz.
Não deixa de ser, então, o resultado de uma escolha pela vida, por mais estranho que isso possa soar para aqueles que já leram o trabalho. Acima de tudo, o que tentei fazer foi uma dissecação das relações humanas nas diversas maneiras possíveis, dentro de uma gama de contextos que achei adequada para destacar certos pontos que me pareciam importantes porque, antes mesmo de começar, já sabia que este seria um livro que escreveria para minha salvação pessoal exclusiva. Não tinha outra escolha e sabia que só havia uma forma de escrevê-lo. Antes de escrever a primeira frase já sabia que só poderia haver uma primeira frase. Qualquer erro, qualquer desleixo, seria como um passo para meu próprio fim.
Isso, obviamente, tornou tudo muito doloroso. Com certeza, as duas primeiras histórias foram as mais difíceis, porque são totalmente pessoais. Mas era algo que eu devia fazer e, resignadamente, agüentei todo o sangue e lágrimas que elas me fizeram escorrer. A parti daí, pude perceber que a lógica que guiaria meu processo seria a do passado, a da memória. Foi então que, a partir do terceiro conto, os personagens começam a se identificar e se relacionar cada vez mais com seu passado, com suas lembranças. Os contos então, passam a ser contos dentro de contos, mutáveis como o passado de cada um de nós, que selecionamos e contamos conforme nosso critério. Não existe um passado, apenas. Cada um de nós possui um tempo anterior que só pode ser definido e sentido em nós mesmos.
Sei que, até aí, não há nada de inovador. Proust já fez isso, e ninguém será capaz de superá-lo, muito menos eu. Mas veja bem, esse livro, pra mim, é como um quebra-cabeça de tudo que vivi e que fui montando para tentar encontrar todo que poderia me levar a uma certa rendição que eu tanto procurava. Nesse ponto, e isso falo com a maior humildade, creio que fui levado a escrever pelos mesmos motivos de Proust. O resultado é que, claro, saiu muito diferente.
Então, é verdade que quase todos os contos remetem a um tema principal que é o amor e a interação entre dois personagens, no máximo três. Isso, sem dúvida, não foi impensado. Nada no mundo pode infligir maior dor numa pessoa do que outra pessoa, nem nada dura tanto nem danifica tanto do que a dor proporcionada emocionalmente por outra pessoa. Só o ser humano é capaz de provocar dores que não são físicas, que fogem de qualquer possibilidade científica de cura. Um delicado equilíbrio é o responsável por manter as pessoas juntas em qualquer tipo de relação, seja ela filial, fraternal ou conjugal. Quando esse delicado equilíbrio se rompe, existe um mundo que é afetado. Ninguém é capaz e passar pela vida sem uma desilusão, sem cicatrizes que chegam tão fundo a ponto de não sumirem nunca mais. No entanto, para sobreviver a isso, e acima de tudo sabemos que temos que sobreviver, o mundo muda e tenta nos levar adiante. Uns conseguem com mais facilidade, outros não. Alguns recorrem a táticas inebriantes, ou manipulam suas próprias lembranças. Afinal, depois de tudo, o que sobra é sempre a lembrança e nossa capacidade de lidar com ela.
Assim, o que quero dizer é que tudo que está nesse livro é um aceno de adeus a mim e a tudo que eu levo. Uma forma de tentar sobreviver da melhor maneira possível a tudo que vivia na época que comecei a escrevê-lo. Não sei se funcionará para outras pessoas, nem acho que essa seja a intenção. Como disse, cada um lambe da forma que puder as feridas que possui. Nunca recriminei aqueles que tiram sua própria vida, nem considero uma fraqueza ou covardia do que os fazem. Se eles pudessem, tenho certeza, escolheriam ainda estar vivo. Eu tive sorte, muita sorte, podia escrever um livro, e foi o que fiz.

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