Vou me matar. Pensou na frase várias vezes. Sabia conscientemente de tudo que lhe prendia a esse mundo. Sua esposa, seus filhos. Sete filhos. Nenhum deles crescidos o suficiente.
Mas nada o prendia a esse mundo. A dor de um homem não se explica. É grande, sufocadora demais para se explicar. Diante da grandeza do mundo, do desespero esmagador, o amor não era mais amor, a responsabilidade era irresponsabilidade, a vida era morte.
Vou me matar, chegou a anunciar. Precisava que algo o convencesse que havia outra saída. Nada o convencia. O desespero de não enxergar, de olhar e não ver, de estar e não estar, era maior que o mistério da morte, que a dor dos filhos sem um pai, que a solidão da mulher. Aos poucos qualquer um se convence que nada nesse mundo nos prende aqui. A luta é diária, e se um dia ela se rompe, nada no mundo nos prende aqui.
O desespero crescia dentro, tão fundo que ele não mais o alcançava. Não sabia mais sua razão, não conseguiria explicar se fosse preciso. A luta se rompeu. Quando morto já se está, quando o mistério já se conhece em vida, como se explica a vida?
*Blog dedicado à produção literária independente*
Os culpados
Manda a letra
- Abrindo a boca (1)
- Calando a boca (2)
- Descomplicando (1)
- É conversando que se confunde (1)
- Êta saudade gorda (2)
- Ficção (18)
- Literatura (3)
- Opinão (7)
- Política (4)
- Vai indo... (2)
Nosso baú
-
▼
2008
(80)
-
▼
June
(12)
- Eros e Thanatos (4)
- eu hoje joguei tanta coisa fora....
- Avó
- Eros e Thanatos (3)
- Para algumas pessoas em especial...Não quero algué...
- A AMIZADE E' O SENTIMETO MAIS LINDO DO UNIVERSO.
- Eros e Thanatos (2)
- Errata
- Ethos e Thanatos (1º capítulo)
- Primeiro
- Respostinha pra dona Gorda
- Agonizando mas não morto...
-
▼
June
(12)
05:58
Labels: Ficção
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
1 comments:
a dor de um homem nao se explica... e nao é sentida por mais ninguém. odeio esse mundo solitario!
Post a Comment