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Eros e Thanatos (2)

Vou me matar. Pensou na frase várias vezes. Sabia conscientemente de tudo que lhe prendia a esse mundo. Sua esposa, seus filhos. Sete filhos. Nenhum deles crescidos o suficiente.

Mas nada o prendia a esse mundo. A dor de um homem não se explica. É grande, sufocadora demais para se explicar. Diante da grandeza do mundo, do desespero esmagador, o amor não era mais amor, a responsabilidade era irresponsabilidade, a vida era morte.

Vou me matar, chegou a anunciar. Precisava que algo o convencesse que havia outra saída. Nada o convencia. O desespero de não enxergar, de olhar e não ver, de estar e não estar, era maior que o mistério da morte, que a dor dos filhos sem um pai, que a solidão da mulher. Aos poucos qualquer um se convence que nada nesse mundo nos prende aqui. A luta é diária, e se um dia ela se rompe, nada no mundo nos prende aqui.

O desespero crescia dentro, tão fundo que ele não mais o alcançava. Não sabia mais sua razão, não conseguiria explicar se fosse preciso. A luta se rompeu. Quando morto já se está, quando o mistério já se conhece em vida, como se explica a vida?

1 comments:

Unknown said...

a dor de um homem nao se explica... e nao é sentida por mais ninguém. odeio esse mundo solitario!