05:31

Eros e Thanatos (3)

Solidão... Tudo está apagado. É a ausência. Não de outros, mas de si mesmo.
É não saber o que fazer quando se acorda, e não ter descoberto até a hora de ir se deitar. É não entender o motivo do próximo passo. É existir sem existir.

Quando se experimenta esse sentimento nunca mais se pensa que a solidão pode ser curada pela presença de outra pessoa. O mal e a cura só um pode encontrar. É perder o fio da meada, é esquecer porque se respira. Olhar ao redor, saber quem é, e não saber. É trabalhar, conversar, passear, e nada sentir. É o encontro com o desencontro. São as palavras que nada dizem.

A ausência de si mesmo pode ser uma benção. Pois o reencontro nos torna fortes, resistentes, preparados. A ausência pode vir novamente, mas se há possibilidade do reencontro, há possibilidade de crescimento. A solidão pode portanto ser salvação. Não nos torna pessimistas, não nos separa dos outros. Mostra que os outros são vitais, mas que a vida é feita de nós mesmos.

No entanto, a solidão nos maltrata. Facilmente sucumbimos a ela. E quem poderia me culpar? Como todos os aprendizados na vida, a dor antes do riso é imponderável. A saída não se enxerga de longe. Quero sucumbir, quem poderia me culpar?

3 comments:

Fábio said...
This comment has been removed by the author.
Fábio said...

sem dúvida a solidão, e digo, a verdadeira solidão, a que machuca, não está ligada a ausência de outra pessoa, mas sim, talvez, a ausência de si mesmo.....no entanto, pessoas e coisas passam por nossa vida e às vezes levam com elas partes de nós que não estávamos preparados para perder ainda..tudo que passa por nossa vida acaba levando um pouco do que somos e nem sempre nos deixa algo em troca para pôr no lugar, pelo menos não imediatamente....e aí fica esse espaço, essa coisa sem nome, essa falta que, na verdade, só serve pra insinuar algo que esteve e foi embora....às vezes, fico com saudades de mim mesmo

fragmentos said...

Muitas vezes fico com saudades de mim mesma...