Hoje é meu aniversário. Há mais de meio século atrás meu pai se matava. Com apenas sete anos eu perdia a inocência e a esperança que no futuro nos torna uma pessoa mais completa.
Com sete anos eu olhava o meu pai, caído no chão, e descobria a tristeza humana em sua mais crua faceta. Um homem desistia de si mesmo. Eu nada sentia, apenas olhava. A vida nunca mais teria o mesmo sentido para mim, estava dominada pela morte. Aquele que me deu vida desistia da sua própria. Tirava de mim minha própria vida.
Durante muito tempo eu olhava mas nada via. Meu pai estendido no chão. Morto. Não compreendia o sigificado daquele momento. Não compreendo até hoje. Para ele, ali tudo acabou. Quanto a mim, eu tinha uma vida pela frente. Com sete anos, eu não tinha palavras para explicar, mas dentro de mim não havia vida para seguir.
Aquele momento afetou tudo ao meu redor. Meus irmãos, das mais variadas idades, não mais se falavam. Minha mãe, alguns vários anos mais moça que meu pai, passava os dias em silêncio. O tiro que calou meu pai calou também nossas vidas. Poderíamos ter enfrentado a morte com vida? Provavelmente sim, mas como a cada um cabe a força e a forma de enfrentar o que nos é imposto, foi com nossas mortes em vida que vivemos a morte de nosso pai.
*Blog dedicado à produção literária independente*
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4 comments:
pqp..pegou pesado hein...ahhaha vc q escreveu?
foi ué...to fazendo uma história...vem desde eros e thanatos (1) vc viu?
porradaria na hipocrisia deles, gorda.
vc escreve bem.
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