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Quando a noite cai...

Gosto do escuro, do breu, do frio, do silêncio sepulcral: um ser da noite.
Prefiro a escuridão. É onde tudo se define, não na luz. A luz engana, ofusca; o negro esconde as mentiras, evoca a verdade. De dia minha sombra é maior que eu. Ela zomba de mim. Me sinto uno com o mundo quando a noite cai, com o meu mundo.



Tudo que eu gostaria de dizer, de fazer, de criar, de transformar, as resoluções e respostas que anseio só me vêm na calada da noite. Me sinto intrépido, imbatível, infalível, sedutor... Sentidos aguçados, nada me escapa, tudo a meu alcance. Lorde-senhor e ninguém para dizer o contrário.



Tento viver uma vida normal, trabalho, aprendo, produzo. Em vão, só respiro livre quando o sol se esconde. Inspiro o ar frio, me alimento dele. Crio asas que cortam a brisa andante. Estou no comando. O véu da noite me aquece, clama por mim. Eu não recuso, gosto do escuro, adoro o silêncio. Deus da vida dormente.



O tempo pára diante dos meus olhos que enxergam distante no escuro, até onde posso
imaginar. Olho as estrelas, frias e distantes. Num piscar de olhos estou lá e de volta. Tudo faz sentido à noite, todos os propósitos são cumpridos. Vultos à espreita, ruídos ao longe... Não, preces e honrarias ao mestre do breu. Meu domínio pulsa enquanto a cidade dorme. Sonhem, meus filhos, sonhem com domínios só seus pois a escuridão me pertence e eu pertenço à ela.

2 comments:

Fábio said...

fred fred fred...sua presença apenas esporádica nesse blog é injustificável, espero que se torne mais frequente..

essa coisa da noite, convenhamos, até q vem bem a calhar quando se trabalha tanto q nem vc hahaha, imagina se vc fosse apaixonado pelas tardes..tava fodido, nao ia aproveitar nunca hehehe

P.R. said...

quem é fred?