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Eros e Thanatos (8)

Por que você sabe, a vida é assim mesmo. Somos um muro, as coisas nos atingem, cada qual desmorona em seu momento. Sou de cimento fraco, meu pai, de cimento forte. Nunca caiu.

Há mais de meio século atrás, meu pai parou de enxergar. Sua vida passou assim, com as mãos em frente aos olhos. Tudo que construímos no escuro, cresce como sombra. Minha família, minha família é sombra. Quando o muro não desmorona, a vida nunca se ergue.

Sobre mim ainda nada posso falar. Já disse, sou feita de cimento fraco, desmoronei tem muito tempo. Minha vida, estou tentando reerguer. Mas isso, isso agora não importa.

Meu pai cresceu na morte, e da morte fez sua vida. Como fica o que criamos, quando tudo que se cria nasce morto? Como fica a vida que levamos, quando da morte nunca escapamos? Não sei a respota para muitas coisas, mas sei para isso vô. Quando da morte se vive, se vive como muro forte, que não cai, mas nunca se ergue.

1 comments:

Fábio said...

hum..acho q é o melhor q vc ja escreveu...né pati? hehehehe

nao tenho nem o q dizer, vou meditar e comento alguma coisa q faça juz..